Teorizar sobre retornos crescentes é ao mesmo tempo promessa e paradoxo. A retroalimentação positiva pode gerar dinâmicas explosivas, enquanto o foco em retornos decrescentes exclui explicações coerentes da inovação. Este artigo examina como processos de retornos crescentes moldam a evolução dos mercados e a organização das firmas, integrando insights da complexidade e da economia austríaca. Firmas e empreendedores emergem como geradores centrais de retornos, pois “ilhas de especialização” internalizam tarefas específicas e complementares que os mercados “spot” não conseguem coordenar. Ao capturar a especialização produtiva, as firmas impulsionam o crescimento intraorganizacional e a transformação setorial. Contudo, além de certa escala, elas enfrentam limites de cálculo decorrentes da ausência de sinais de preços externos para os bens. Assim, referências externas impõem um teto à expansão, introduzindo uma retroalimentação cataláctica estabilizadora. Nossa análise explica por que as firmas surgem, crescem e enfrentam limites, enriquecendo ambas as tradições e oferecendo uma visão coerente das fronteiras organizacionais.