Neste artigo, abordamos um tema epistemológico da relação entre ideias e realidade econômica. Rifkin defende que o custo marginal zero da tecnologia favorece o aparecimento de uma economia colaborativa que enfraquece a função do lucro das empresas. Argumentamos que Rifkin amputa retoricamente a função do custo de seus meios de valoração. Utilizando o método da "filosofia da linguagem comum", mostramos que o raciocínio de Rifkin se baseia em uma confusão: o uso simultâneo de dois jogos de linguagem distintos. Primeiro, a expressão econômica da valoração de custos; segundo, a mesma expressão reparada do cálculo, alimentando um discurso ideológico sobre o fim do capitalismo. Essa confusão levanta duas questões relacionadas: a dificuldade de entender a dinâmica dos fatores de produção gerada pelas novas tecnologias, e a negação das questões laborais reais.